Setembro Amarelo: suicídio tem prevenção!

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio continua sendo uma das principais causas de morte em todo o mundo. Em 2019, ano do último mapeamento, mais de 700 mil pessoas tiraram a própria vida: uma em cada 100 mortes. 

O relatório “Suicide Worldwide in 2019”, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), traz dados preocupantes no campo da saúde mental: todos os anos, mais pessoas morrem por causa do suicídio do que por HIV, malária ou câncer de mama – ou guerras e homicídios. Somente em 2019, mais de 700 mil pessoas morreram por suicídio. O dado absoluto se desdobra em um indicador relativo e impactante: a cada 100 mortes no mundo, uma foi por suicídio. 

Não bastasse a alta taxa de incidência, outro dado deve ser considerado nesse cálculo social: a tentativa de suicídio. A Organização Pan-Americana da Saúde calcula que, enquanto 97.339 pessoas morreram por suicídio na Região das Américas, estima-se que as tentativas de suicídio foram 20 vezes maior que esse número.

Os índices ilustram um problema social que avança na atualidade. Definido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), o suicídio se caracteriza como “ato deliberado, executado pelo próprio indivíduo, cuja intenção seja a morte, de forma consciente e intencional, mesmo que ambivalente, usando um meio que ele acredita ser letal”. 

Já o comportamento suicida refere-se à “ação de autoagressão, assim como variáveis relacionadas às tentativas de suicídio, com alta ou baixa letalidade, que ocorrem dentro de um contexto social e trazem elementos que indicam a procura de ajuda” (Abreu, Lima, Kohlraush & Soares, 2010). 

De fato, é sobre os comportamentos suicidas que o trabalho psicológico pode se debruçar, permitindo auxílio e tratamento aos pacientes. Mais quais aspectos devem ser considerados de risco para casos de suicídio?

Fatores de Riscos

  • Tentativa de Suicídio: pacientes que já tenha tentando tirar a própria vida apresentam maior probabilidade de cometer o ato novamente. Merecem atenção especial pelos profissionais da saúde. 
  • Transtorno Mental: o comportamento suicida pode estar vinculado à alguma doença mental; muitas vezes, desconhecida do próprio paciente ou da família. Entre os transtornos, a depressão, a bipolaridade, o alcoolismo, a dependência e o uso de drogas, a esquizofrenia e os Transtornos de Personalidade podem estar associadas ao comportamento.
  • Desesperança, desamparo e desespero são sentimentos ou estados que se colocam como fatores de risco. Além deles, a impulsividade, especialmente entre os jovens, pode agravar casos. 
  • Jovens e Idosos: momentos diferentes do desenvolvimento humano podem estar relacionados aos índices de suicídio. Em jovens e adolescentes, as motivações são variadas, desde consumo de substância que causam dependência a conflitos familiares. Entre os idosos, as taxas de suicídio se ampliam pelas perdas vivenciadas, pelo sentimento de solidão ou dificuldades com enfermidades. 
  • Homens apresentam prevalência maior para o suicídio; já entre as mulheres a taxa de comportamento suicida é superior. O papel masculino, na sociedade atual, está associado à ideia de força, o que inibe muitos homens de procurarem apoio psicossocial para lidarem com suas dificuldades. Solidão e isolamento social agravam a condições para o suicídio em pessoas do sexo masculino. Enquanto isso, as mulheres se engajam mais na rede de proteção, o que lhes dá um sentido de maior participação comunitária. 
  • Doenças clínicas não psiquiátricas, como HIV, Esclerose Múltipla, Parkinson, entre outras, são fatores de risco. 
  • Dificuldades vivenciadas quando criança ou na adolescência, como abusos, maus tratos, transtornos psiquiátricos entre os familiares, rupturas, por exemplo, podem levar a tentativas ou ao próprio suicídio. 
  • História familiar ou genética: o risco de suicídio aumenta entre pessoas com histórico de suicídio na família ou que foram casados com alguém que cometeu suicídio. Isso se deve a fatores genéticos e também ambientais.
  • Fatores sociais: o laço social e o sentimento de pertencimento à comunidade diminuem os indicadores de suicídio, em contrapartida, desemprego e dificuldades financeiras acabam agravando os números

Como intervir?

Primeiro é importante fazer uma avaliação clínica de cada caso, considerando três aspectos: a ambivalência em torno da vida, a impulsividade, quase sempre reforçado por uma experiência negativa, e a rigidez, o que não permite ao paciente pensar em uma alternativa saudável para situações conflitivas. 

O risco para o suicídio pode ser considerado de baixo a alto, e dependendo do grau as intervenções se aplicam. Em todas, deve-se considerar a importância expressiva da rede de apoio do paciente, desde a família até o Sistema de Saúde; nos casos mais graves, não deixar a pessoa em comportamento de risco sozinha se faz necessário. Não se deve apelar para julgamentos, e a escuta atenta do sofrimento do paciente deve auxiliá-lo na busca por alternativas saudáveis de vida. 

Suicídio pode ser prevenido!

Fontes Consultadas

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