Entender a dimensão do trabalho para a saúde mental individual exige uma avaliação psicológica específica. No plano social, porém, a OMS e a OIT atestam que medidas precisam ser tomadas para evitar um quadro preocupante
Você já parou para imaginar o tempo diário que dedica ao trabalho? Uma observação simples sobre a realidade brasileira demonstra que a carga de trabalho em geral é de 44 horas semanais – 8 horas de segunda a sexta-feira e mais 4 horas aos sábados, considerando a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
Calculando ainda deslocamentos e horas extras, essa carga pode ser ainda maior! E você já pensou como essa rotina afeta a sua saúde mental? O impacto pessoal é subjetivo e pode ser melhor observado no âmbito do diagnóstico individual, mas alguns apontamentos obtidos considerando dados e estudos no âmbito da psicologia social permitem demonstrar como o trabalho influencia o psiquismo.
É o que aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), entidades internacionais que publicaram, na quarta-feira, dia 28 de setembro, novas diretrizes sobre saúde mental no contexto funcional. O documento vai ao encontro de traçar um panorama que vincula saúde mental, sociedade e mundo laboral. Entenda!
Dados Sinalizados pelo Documento
O Relatório Mundial de Saúde Mental da OMS, publicado em junho de 2022, indicou que:
- De um bilhão de pessoas que viviam com algum transtorno mental em 2019, 15% dos adultos em idade ativa – ou seja, aptos ao trabalho – sofreram um transtorno mental.
- Estima-se que 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos anualmente devido à depressão e à ansiedade, o que custa à economia global quase um trilhão de dólares.
- A COVID-19 desencadeou um aumento de 25% na ansiedade e depressão geral em todo o mundo, expondo como os governos estavam despreparados para lidar com o impacto na saúde mental e revelando uma escassez global crônica de recursos para a área.
O que recomendam as diretrizes?
No documento, são feitas indicações em torno da importância de ações para enfrentar rotinas insalubres, como cargas de trabalho pesadas, comportamentos negativos e outros fatores que criam angústia no trabalho.
No campo prático, isso implica em estratégias para governos, empregadores e trabalhadores e suas organizações, nos setores público e privado. As recomendações contemplam o treinamento de gerentes, para capacitá-los a responder aos trabalhadores e às trabalhadoras em perigo e evitar a construção de ambientes de trabalho estressantes.
Também são apontadas melhores maneiras de acomodar as necessidades dos trabalhadores e das trabalhadoras com condições de saúde mental, a partir de intervenções que apoiem seu retorno ao trabalho e, para as pessoas com condições graves de saúde mental, que facilitem a entrada no emprego remunerado.
Quais os caminhos para uma saída saudável?
Num sentido cotidiano, deve-se apoiar a prevenção de riscos psicossociais, proteger e promover a saúde mental no trabalho e apoiar as pessoas com dificuldades emocionais para que elas possam participar e prosperar no mundo do trabalho. Investimento e liderança são fundamentais para a aplicação das estratégias.
Ampliar o poder de governos conscientes do papel das políticas públicas focadas em saúde mental e em melhores condições de vida é uma das necessidades para mudar os indicadores ruins. No documento, destaca-se que, em 2020, os governos em todo o mundo gastaram uma média de apenas 2% dos orçamentos de saúde em saúde mental, sendo que os países de renda média baixa investiram menos de 1% Dados aquém das necessidades.
E você, se puder, faça psicoterapia, procure um psicólogo – e seja gentil com quem trabalha contigo!


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