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Transtorno do Pânico: do sintoma no corpo à capacidade de simbolização

Adoecimento atinge entre 2% e 3% da população, com prevalência entre adolescentes e adultos

O nome em si já assusta: Transtorno de Pânico. Enquadrado dentro dos Casos de Ansiedade no Manual de Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-V), o adoecimento psíquico se caracteriza pela experiência de ataques de pânicos, um surto abrupto de medo ou desconforto intenso que alcança picos em questão de minutos. Tais surtos são inesperados e recorrentes e costumam envolver taquicardia, distúrbios respiratórios, sudorese, tremores e calafrios, entre outras manifestações corporais. 

O sentimento de fragilidade diante do surto é tão intenso que muitos pacientes relatam uma sensação de morte iminente. Por se tratar de uma ansiedade com reflexos corporais e que surge do “nada”, é um adoecimento que traz a impressão de não ter fatores psicológicos associados. Na realidade, a história psíquica individual tem o potencial de apontar as causas responsáveis pela constituição do quadro de ansiedade. 

O psiquiatra americano Glen O. Gabbard comparou estudos importantes que buscaram mapear a origem do Transtorno do Pânico. De modo geral, o quadro encontra fatores neurofisiológicos importantes, mas a causa do adoecimento não pode ser explicada estritamente por tais marcadores biológicos. Assim, aspectos psicológicos encontram-se em relevância. Alguns achados podem ser pontuados:

  • Situações estressoras foram mapeadas em um grupo de pessoas que sofreram ataques de pânico. Os estressores tendiam a estar conectados a alterações no nível de expectativas colocados nos pacientes. 
  • Eventos de perda estavam associados à infância, em que o sentimento de apego em relação a um dos pais, ao menos, estava ameaçado. 
  • Os pais eram percebidos como ameaçadores, temperamentais, críticos, exigentes e, não raro, controladores. 
  • O padrão de ansiedade se conecta à dificuldade de socialização com outros na infância. 
  • As relações parentais eram sentidas como não apoiadores e tem-se o sentimento de estar preso. 
  • Lidar com raiva e agressividade mostra-se como difícil. 

O Transtorno de Pânico se conecta ao conceito freudiano de Neurose de Angústia. Nele, a angústia estaria desconectada de representações mentais, o que implica em uma dificuldade de simbolização. E é por aí que o tratamento pela fala se desenrola! 

Como a psicoterapia pode auxiliar?

Nos últimos anos, psicofármacos têm sido utilizados no Transtorno do Pânico, com qualidade na contenção de sintomas e picos de ansiedade. O Cloridrato de Imipramina e Escitalopram são exemplos desse grupo de medicamentos.

No entanto, mudanças estruturais na personalidade para uma melhora da psicopatologia dependem de psicoterapia. 

Quando se trata de psicoterapia de orientação psicanalítica, o foco está no estímulo da simbolização do paciente. Além disso, sentimentos e emoções como medo e raiva são melhores compreendidos no processo terapêutico. Estados como agressividade, as dificuldades com socialização e outros fatores desencadeados pelo Transtorno de Pânico também são trabalhados durante o tratamento. 

Fontes Consultadas

DSM-V. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais.
Gabbard, G. O. Psiquiatria Psicodinâmica.

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