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3 + 1 dicas de contos de autores e autoras da Literatura Brasileira

Para o escritor Antônio Torres, todo conto, para ser bom, é como um fio a ser desencapado e o resultado final, e esperado, é sempre um choque no leitor. Conheça três trabalhos (e mais um) em que o curto-circuito é inevitável!

Quase sempre as indicações de leitura giram em torno de obras completas. E, por aqui no blog, isso é o que acaba sendo mais comum também. Hoje, porém, a proposta é um pouco diferente, com a sugestão de contos específicos encontrados em obras individuais e em coletâneas. Confira:

  1. A Terceira Margem do Rio, em “Primeiras Estórias”, de João Guimarães Rosa.

A história é uma das mais célebres do autor mineiro – e bastante expressiva da literatura brasileira. Conta a vida, os sofrimentos e as dificuldades de uma família que vê sua dinâmica transformada quando o pai resolve viver numa pequena canoa, diante da imensidão de um rio. Por trás da linguagem regional, o conto aborda problemáticas universais. Na psicanálise, várias são as possibilidades de leitura para esse clássico: mas lembre-se, o que importa é a sua leitura. 

  1. Feliz Aniversário, em “Laços de Família”, de Clarice Lispector.

No aniversário de 89 anos de D. Anita, a família lhe preparou uma festa praticamente infantil. Ali, entre filhos, noras, netos, sobrinhos, a matriarca, quase sempre imóvel e sequer reativa, vê pessoas que até lhe dão respeito, mas, de fato, pouca atenção. O conta de Clarice Lispector é uma metáfora do envelhecimento, mas é também uma alegoria das mudanças pela qual a vida passa e de como as expectativas sociais compõem um jogo social duro, sem afeto, rígido. 

  1. Pai contra Mãe, em “Contos”, de Machado de Assis.

Neste conto, Machado de Assis coloca a realidade da escravidão como elemento traumático da experiência humana. Aliás, se você ler esse texto e não conseguir se comover com a dor da escravidão, você precisa refletir! Em termos psicanalíticos, a angústia ensaiada pela obra é da ordem do real. Quem grita no texto é o trauma, a dor, o sofrimento desvelado de simbolizações. Mas é possível fazer muitas outras leituras, sociológicas, econômicas, entre outras.

  • +1) A Moça Tecelã, de Marina Colasanti

Os contos de fada atravessam uma barreira psíquica importante. Por meio deles, e da capacidade fantasiosa da literatura, podemos entrecruzar as fronteiras entre o simbólico e o real. É esse o convite implícito no texto de Marina Colasanti. A partir do tear, uma jovem cria de tudo: o sol, a casa, o marido. Haja investimento! Até que algo não sai como o imaginado, e aí fica o questionamento: como desinvestir em algo que era tão querido, mas não era bem o planejado? 

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