“Fim” é sobre a vida, ou melhor, sobre a transitoriedade dela

Série disponível no Globoplay aborda a saga de uma geração que vê o tempo avançar, na mesma medida que precisa lidar com as transformações do mundo

O nascimento é uma dádiva, mas o que podemos conceber como sendo o Fim? Apenas o encerramento da vida, conforme uma visão mais pragmática? Uma espécie de momento derradeiro de revisão, como uma síntese na lógica dialética? Ou talvez a impossibilidade do triunfo do prazer, confrontando o hedonista mais radical? Poucas são as certezas aqui – exceto, é claro, o próprio fim.

Inúmeras questões, a maioria delas sem resposta, movimentam a série “Fim”, disponível no Globoplay. Ao retratar a história de vida de cinco homens, baseando-se no livro homônimo da atriz Fernanda Torres, a produção desafia o espectador a compreender as complexidades da existência, os desafios, as adversidades e as dívidas que se acumulam conforme o passar do tempo.

O cenário é o Rio de Janeiro em diferentes épocas, desde a década de 1960 até os anos 2000, mostrando como a vida dos indivíduos comuns – mesmo quando aparentemente bem vivida –  é permeada por conflitos, incertezas, mentiras e dúvidas. A grande sagacidade do trabalho audiovisual reside em retratar o perfil de uma geração que enfrentou a ditadura, precisou se adaptar a mudanças culturais drásticas e lidar com situações amorosas complexas.

Considerada uma tragicomédia pela autora, em “Fim”, os personagens são confrontados com a transitoriedade da vida – do modo possível, a vivendo. E essa realidade, muitas vezes discordante dos nossos desejos, é o fio condutor da narrativa.

A série ilustra o quanto nos cobramos, no momento final da vida, em relação às escolhas que fizemos. E mostra como precisamos arcar com as consequências dessas decisões. Seja o caso do marido que escondeu de sua amada esposa sua incapacidade de ter filhos, e assumiu, de um lado, a paternidade do filho concebido fora do casamento e, do outro, um comportamento agressivo-passivo. Ou o pai ausente, marido negligente, que priorizou seus próprios desejos sem se preocupar com a família. Ou ainda o homem que, após testemunhar a morte de sua esposa, opta pelo suicídio. São situações que refletem a complexidade das relações humanas, onde as escolhas são muitas vezes ambíguas e as consequências imprevisíveis.

O que importa, no fim das contas, não são apenas as escolhas que fazemos, mas sim como lidamos com elas. Como diz a música que forma a trilha da série “É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte”. Pois, independentemente da reação, sempre haverá um fim.

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