Mas, afinal, o que é a ansiedade?

Conceito encontra diversas definições, desde caracterizações em Manuais de Diagnósticos a escritos de base psicanalítica 

Mal-estar físico e psíquico, aflição, agonia, algo parecido com uma angústia. Definir ansiedade não é tarefa fácil. Racionalizações em torno desse fenômeno sempre guardam uma dose de volatilidade; escorregadio, o conceito de ansiedade não dá chances de ser colocado em um alvo racional.

Em termos de diagnóstico, ansiedade pode ser explicada como uma “antecipação da ameaça futura”. Embora se possa conferir um grau de aceitação a tal definição, ainda diz pouco do ponto de vista da origem da ansiedade. Alguns autores, costumam ainda conceituar ansiedade como um “medo irracional”. 

Medo e ansiedade se diferenciariam, porque o primeiro seria uma reação a uma ameaça iminente e percebida na realidade. 

Também guarda um certo consenso a ideia de que ansiedade – numa certa medida – é importante para cada indivíduo. Ela permite antecipar cenários arriscados e, provavelmente, tenha papel necessário na evolução humana, inclusive com uma importância adaptativa aos humanos. 

Quando a ansiedade é descompensada, ela pode se encontrar num nível patológico e acarretar sérios problemas. Há uma série de categorizações dos transtornos de ansiedade. Conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), os tipos de transtornos se diferenciam pelos “objetos ou situações” que induzem o medo e a ansiedade – ou mesmo comportamentos para se esquivar desses sentimentos. 

Por essa lógica, os transtornos podem se enquadrar como uma Ansiedade Social, uma Fobia Específica, Transtorno de Pânico, de Ansiedade Generalizada, entre outros. Apesar desse modo de encaixotar os transtornos, a ansiedade, em si, também encontra-se em quadros de adoecimentos como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo ou, então, àqueles relacionados a Traumas e Estressores, além de outros. 

Ansiedade para a Psicanálise

Para a Psicanálise, a ansiedade é um afeto que remete às experiências traumáticas do sujeito. O conceito se alinha, em parte, à ideia presente nos manuais diagnósticos porque a psicanálise também entende a ansiedade como um sinal de perigo (a antecipação de futuro).

Apesar disso, a preocupação mais estrutural da Psicanálise pressupõe ainda uma etiologia para esse acesso ao afeto ansioso, por meio de uma operação de rastreio, digamos assim, das experiências traumáticas. 

Freud se pergunta “como surge a ansiedade?” E a resposta é que a ansiedade é reproduzida como um estado afetivo, em conformidade com uma imagem de memória já estabelecida. Os estados afetivos são resultados de experiências traumáticas anteriores. Quando ocorre uma situação semelhante, são apenas revividos como símbolos de memória (Viana, 2010).

Não por acaso, ao iniciar uma Psicoterapia Psicodinâmica, baseada nos conceitos psicanalíticos, o paciente revisita suas experiências de vida, especialmente, as vivências infantis. 

Textos Consultados

DSM-5. Transtornos de Ansiedade

Viana, Milena de Barros. (2010). Freud e Darwin: ansiedade como sinal, uma resposta adaptativa ao perigo. Natureza humana , 12(1), 1-33.

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  1. Quando procurar atendimento psicológico? – Psicólogo Vagner A. Espeiorin

    […] gente já falou sobre a ansiedade em um outro post (se ficou curioso para saber mais, clica aqui). Uma dose de ansiedade faz parte da natureza humana, e ela é importante até mesmo para certas […]

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